PROPOSTA ERGONOMICA PARA HOME-OFFICES

1. APRESENTAÇÃO
Atualmente, muitos são os problemas de saúde oriundos das más condições no ambiente de trabalho. Empresas brasileiras vêm investindo em adaptações ergonômicas tanto de equipamentos industriais como postos de trabalho, na busca do conforto e melhor desempenho dos funcionários.
Na União Européia, por exemplo, os custos econômicos associados às doenças profissionais variam entre 2,6 a 3,8% do PIB. 40 a 50% deste valor é derivado de lesões músculo-esqueléticas, uma das dez doenças profissionais mais freqüentes no mundo. Segundo dados do IBGE, no Brasil, cerca de 600 milhões de dias de trabalho são perdidos em função de doenças profissionais.
Esses números incluem os profissionais liberais e free-lancers – parcela em amplo crescimento da sociedade brasileira - que também sofrem com condições inadequadas de trabalho na sua própria casa.
Inúmeros são as pesquisas ergonômicas relativas aos postos de trabalho e equipamentos industriais. Entretanto, o problema ainda persiste para os ambientes de trabalho em residências, conhecidos como home-offices. Para esses casos, devemos considerar um fator relevante: o design, que é priorizado em detrimento de condições ergonômicas adequadas, resultando em espaços bem equipados e harmonicamente concebidos, mas ergonomicamente incorretos.
Este projeto de pesquisa pretende avaliar as principais características dos home-offices – espaço ainda pouco abordado em pesquisas -, na busca de soluções para sua adaptação garantindo condições ergonomicamente adequadas aliadas aos preceitos do design de interiores. O objetivo principal do presente projeto é identificar itens que contribuam na adaptação de home-offices, segundo técnicas da ergonomia aliadas ao design de interiores, vinculando praticidade, conforto e design.
Para isso, é fundamental conhecer bem seu público alvo ou seja, profissionais liberais e free-lancers, para identificação das principais necessidades e deficiências desses ambientes.
Os resultados desta pesquisa servirão de base para elaboração e desenvolvimento de produtos versáteis na adaptação do mobiliário utilizado pelo público alvo, garantindo condições mais favoráveis de trabalho.
A metodologia adotada para este projeto de pesquisa está baseada em métodos sistêmicos de avaliação ergonômica (entrevistas, questionários e observação), utilizando recursos complementares como pesquisas bibliográficas e iconográficas.
2. JUSTIFICATIVA
O uso dos conhecimentos da ergonomia atrelado ao design encontra-se, hoje no Brasil, mais difundido e com numerosos exemplos de aplicação em áreas tradicionais. Estão ligados à organização do trabalho, destacando-se em diversos setores dos sistemas de produção, como por exemplo nos objetivos de racionalização do trabalho para aumento de produtividade; na segurança, na organização de linhas de produção, ambientes e postos de trabalho, correção de equipamentos de uso individual e geral.
A atuação eficaz do designer - seja este designer de produto ou de interiores - irá garantir projetos que eliminem alguns riscos antecipados e neutralizem aqueles inerentes às atividades nos ambientes de trabalho ou no manuseio de um produto. Pesquisas apontam que produtos que integram ergonomia e design contribuem para a qualidade de vida, aumentam o bem-estar e o desempenho dos usuários.
Atualmente, as empresas necessitam competir tanto no mercado nacional como internacional. Desta forma, buscam produtividade a menor custo, o que impõe ritmos de trabalho intensos, jornadas prolongadas e ambientes ergonomicamente inadequados. O estudo da adaptação do homem ao trabalho abrange transformações que ocorrem quando um organismo passa do estado de repouso para atividade. Sendo assim, a monotonia, fadiga e motivação são três aspectos muito importantes que deve interessar a todos aqueles que realizam análises e projetos de trabalho.
E importante destacar que em geral, as pesquisas ergonômicas têm como foco principal os postos de trabalho, no qual as soluções sugeridas, na maioria dos casos, não se aplica aos home-offices. A demanda por este tipo de espaço vem crescendo nos últimos anos e possui nos profissionais liberais e free-lancers, seu grande público-alvo.
Inúmeros são os fatores que desencadeiam este processo, dentre os quais mais se destacam os altos custos das salas comerciais, ocupações familiares, longo tempo de deslocamento entre casa/trabalho.
Com os atuais recursos via Internet e sistemas de rede em computadores, houve interesse das empresas em manter seus funcionários trabalhando em casa, diminuindo custos para ambas as partes. No entanto, grande parte das residências está despreparada para abrigar áreas de trabalho em função da falta de espaço, inadequação do mobiliário ou até da multiplicidade de funções num mesmo ambiente.
Os atuais manuais de adequação ergonômica do trabalho não atendem a esses casos, direcionados exclusivamente a padrões comerciais. Estudos ergonômicos em geral consideram modulações inadequadas para ambientes de múltipla função residenciais, como micro-escritórios em quartos, salas, quartos de empregada e corredores.
Uma pequena pesquisa informal realizada com alunos da Escola de Design comprovou a total inadaptabilidade de ambientes de trabalho em suas residências. Numa segunda etapa foi possível constatar a inviabilidade de adaptação dos home-offices, tomando como base normas estabelecidas para postos de trabalho, cabines de controle, salas de operadores, dentre outros exemplos mais comumente encontrados em estudos ergonômicos. A partir desses resultados, concluímos ser fundamental o desenvolvimento de uma pesquisa de análise ergonômica dos home-offices, considerando suas deficiências e adaptações na busca de normas para adaptação dessas áreas.
E importante destacar que o projeto ergonômico de home-offices não é apenas uma necessidade de conforto e segurança, e sim uma estratégia para os profissionais sobreviverem num mundo globalizado, a partir do momento que a conquista da qualidade dos produtos ou serviços e o aumento da produtividade só serão possíveis com a melhoria da qualidade de vida.
A partir dos resultados obtidos pela pesquisa, alguns produtos serão desenvolvidos visando adequação de espaços já existentes e que necessitem de pequenos ajustes. Isto garante relevância ao projeto como paradigma de qualidade, trazendo benefícios a toda uma faixa da sociedade que busca soluções na adequação do design aliado ao conforto no ambiente de trabalho.
3. REFERENCIAL TEÓRICO
Os locais de trabalho estão ganhando cada vez mais importância estratégica na busca da melhor adaptabilidade em relação a suas funções. O layout passou a ganhar destaque, garantindo a otimização dos espaços e conseqüentemente o melhor desempenho dos funcionários.
Considerando o caso dos home-offices, sua adaptabilidade passa a ser considerada singular, principalmente devido a multiplicidade de funções dos espaços ou ainda de suas restritas dimensões, ambos os casos bastante comuns em apartamentos.
Segundo MORAES (1998)[1], a arquitetura e o arranjo espacial devem satisfazer as duras exigências da flexibilidade, da adaptação à organização e as relações de trabalho, do conforto individual, da segurança e da qualidade, da imagem da empresa e do respeito ao meio ambiente.
O entendimento de um espaço passa necessariamente pela percepção de sua função, de seu uso. O entendimento de um espaço construído de trabalho está principalmente na compreensão das tarefas que ali se realizam, de que maneira estas se complementam e se sucedem, em que condições são executadas e quem são as pessoas que as executam, o que vai além da questão da função espacial arquitetônica e suas tecnologias construtivas.
Na busca de todas essas respostas, a ergonomia torna-se a principal estratégia na para alcançar melhores condições de trabalho e conseqüentemente um aumento de produtividade de seus usuários.
A ergonomia é a ciência que estuda as relações entre o homem e seu ambiente de trabalho, podendo ser inserida em diversos campos de atuação completamente distintos, da medicina ao design.
Segundo KNIBEL et al (2000)[2], a ergonomia vem em auxílio da humanização, e tem como finalidade conceber e/ou transformar o trabalho de maneira a manter a integridade da saúde dos usuários e atingir objetivos econômicos. Os ergonomistas são profissionais que tem conhecimento sobre o funcionamento humano e estão prontos a atuar nos processos projetuais de situações de trabalho, interagindo na definição do mobiliário e ambiente físico de trabalho. O fundamento de toda a metodologia ergonômica está na compreensão das atividades realizadas em cada situação de trabalho, e na consideração do contexto e todas as questões que estão relacionadas ao processo de transformação do trabalho, no qual participam diferentes pessoas e pontos de vistas.
Segundo FILHO (2003)[3], o uso dos conhecimentos da ergonomia encontra-se hoje no Brasil mais difundido e com numerosos exemplos nos setores industriais. Sua aplicação propicia facilidade do trabalho e rendimento do esforço humano. Está ligada à organização do trabalho, destacando-se em diversos setores dos sistemas de produção, como por exemplo, nos objetivos de racionalização do trabalho para aumento de produtividade; na segurança, visando à prevenção de acidentes de trabalho; na organização de linhas de produção, ambientes e postos de trabalho, correção de equipamentos de uso individual e geral, entre outros.
Em todas essas etapas, a ergonomia contribui com a prevenção de doenças e acidentes, pois os agentes causadores estarão sendo o objeto principal de sua atuação.
[1] MORAES, Anamaria; MONT’ALVÃO, Cláudia. Ergonomia: conceitos e aplicações. Rio de Janeiro: 2AB, 1998.
[2] KNIBEL, Marcos; SANTOS, Venétia; FLEMMING, Liane.
http://www.ergonomia.com.br/htm/cti.htm
[3] FILHO, João Gomes. Ergonomia do objeto: sistema técnico de leitura ergonômica. São Paulo: Escrituras editora, 2003.


